{"id":5837,"date":"2022-07-06T15:49:40","date_gmt":"2022-07-06T22:49:40","guid":{"rendered":"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/?p=5837"},"modified":"2022-07-18T10:24:10","modified_gmt":"2022-07-18T17:24:10","slug":"diario-de-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/pt\/diario-de-viagem\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de viagem"},"content":{"rendered":"<div class=\"gb-container gb-container-44cd85b9 alignfull\"><div class=\"gb-inside-container\">\n\n<div class=\"diary-wrapper\">\n\n\n\n    <!-- BARBARA FRASER-->\n    <div class=\"reporter-popups\" href=\"#barbara-popup\" data-effect=\"mfp-zoom-out\">\n\n        <div class=\"image\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/Barbara-notebook.jpg\"\n                alt=\"\">\n        <\/div>\n\n        <div class=\"text\">\n            <h4>Barbara Fraser<\/h4>\n            <p>Todo mundo fala da &#8220;selva amaz\u00f4nica&#8221;, mas quando se est\u00e1 ali percebe que na verdade \u00e9 um mundo\n                aqu\u00e1tico. Os rios s\u00e3o os caminhos para todo o tipo de ve\u00edculo: grandes embarca\u00e7\u00f5es fluviais que\n                transportam passageiros&#8230;<\/p>\n            <button>Continua<\/button>\n\n        <\/div>\n    <\/div>\n\n    <!-- Popup itself -->\n    <div id=\"barbara-popup\" class=\"white-popup mfp-with-anim mfp-hide\">\n        <div class=\"notebook-container\">\n            <div class=\"image\">\n                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/barbara-Fraser.jpg\"\n                    alt=\"\">\n            <\/div>\n\n            <div class=\"text\">\n                <h4>Barbara Fraser<\/h4>\n                <p>Todo mundo fala da &#8220;selva amaz\u00f4nica&#8221;, mas quando se est\u00e1 ali percebe que na verdade \u00e9 um mundo\n                    aqu\u00e1tico. Os rios s\u00e3o os caminhos para todo o tipo de ve\u00edculo: grandes embarca\u00e7\u00f5es fluviais que\n                    transportam passageiros, carga e at\u00e9 mesmo algum b\u00fafalo-d\u2019\u00e1gua; rebocadores que empurram as barca\u00e7as\n                    repletas de madeira ou petr\u00f3leo; barcos de passageiros de longa dist\u00e2ncia com motores potentes; e\n                    pequenas canoas carregadas com enormes cachos de bananas ou frutos de palma.<\/p>\n                <p>Viajar pelos rios pode ser perigoso. As embarca\u00e7\u00f5es pequenas podem ser inundadas pelo rastro deixado\n                    por motores potentes, e troncos submersos s\u00e3o um perigo mesmo para os barcos grandes.<\/p>\n                <p>Para todos os seres vivos do Peru amaz\u00f4nico, a vida \u00e9 regida pela subida e descida sazonal das \u00e1guas.\n                    A cada ano os rios transbordam, espalhando pela selva sedimentos ricos em nutrientes e permitindo\n                    que os peixes nadem entre as \u00e1rvores, comam seus frutos e espalhem as sementes.<\/p>\n                <p>A temporada de cheia \u00e9 importante para a pesca, mas pode ser um per\u00edodo de escassez nas comunidades.\n                    As praias onde as pessoas plantam feij\u00e3o e outras culturas desaparecem sob um n\u00edvel de \u00e1gua que\n                    varia de 6 a 9 metros. As pessoas dependem de alimentos b\u00e1sicos como a mandioca, que \u00e9 plantada em\n                    terrenos mais altos, mas em lugares como Nueva Uni\u00f3n e Nuevo Per\u00fa, no Rio Chambira do Peru, n\u00e3o h\u00e1\n                    terrenos elevados nas proximidades. Assim, pode ser uma \u00e9poca de fome.<\/p>\n                <p>Chegamos a Nueva Uni\u00f3n e encontramos toda a comunidade inundada. As casas se erguem sobre palafitas,\n                    mas a \u00e1gua subiu al\u00e9m das t\u00e1buas que seriam o primeiro andar na esta\u00e7\u00e3o seca, ent\u00e3o as fam\u00edlias se\n                    mudaram para o andar superior de suas casas. As cozinhas, localizadas atr\u00e1s das casas, geralmente em\n                    um n\u00edvel intermedi\u00e1rio entre os dois andares, continuavam acima da \u00e1gua. Para visitar os vizinhos,\n                    ir \u00e0 escola ou mesmo ir \u00e0 latrina, \u00e9 preciso remar at\u00e9 ali em uma canoa.<\/p>\n                <p>O mesmo ocorre em toda a Amaz\u00f4nia. As pessoas vivem cercadas de \u00e1gua. Durante a \u00e9poca de cheia, uma\n                    fam\u00edlia toma banho e lava a roupa, as panelas e os pratos em uma pequena jangada amarrada \u00e0 porta da\n                    sua casa, junto \u00e0 sua canoa. Quando a \u00e1gua da enchente baixa, essas tarefas di\u00e1rias \u2013 com a jangada\n                    e a canoa \u2013 s\u00e3o transferidas para a margem do rio.<\/p>\n                <p>Os rios e riachos tamb\u00e9m s\u00e3o a \u00fanica fonte de \u00e1gua para consumo humano, algo que os padr\u00f5es de\n                    qualidade da \u00e1gua peruanos n\u00e3o levam em conta. Nas cidades, a maioria das pessoas abre uma torneira\n                    para obter \u00e1gua, mas nas aldeias o dia come\u00e7a com o ritual de buscar baldes de \u00e1gua no rio. Isso\n                    significa que as pessoas muitas vezes precisam beber \u00e1gua contaminada por res\u00edduos de cidades,\n                    aldeias e locais industriais rio acima, incluindo os campos petrol\u00edferos. Cerca de 60 comunidades\n                    dos maiores blocos petrol\u00edferos da Amaz\u00f4nia contam com esta\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias de tratamento de \u00e1gua,\n                    mas para todas as demais n\u00e3o h\u00e1 escolha. Devem beber \u00e1gua que sabem que est\u00e1 contaminada, em alguns\n                    lugares por t\u00f3xicos como metais e produtos qu\u00edmicos agr\u00edcolas e praticamente em todos os locais por\n                    coliformes fecais.<\/p>\n                <p>Na regi\u00e3o peruana de Loreto, onde a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo injetou bilh\u00f5es de d\u00f3lares nos cofres\n                    p\u00fablicos ao longo de meio s\u00e9culo, apenas a metade dos moradores est\u00e1 conectada a sistemas p\u00fablicos\n                    de \u00e1gua, e mesmo essa \u00e1gua pode n\u00e3o estar sendo tratada adequadamente. Nas centenas de aldeias\n                    localizadas ao longo dos rios n\u00e3o h\u00e1 sistemas desse tipo. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o ignorada durante muito\n                    tempo pelos respons\u00e1veis pol\u00edticos que neste mundo de delicados ecossistemas aqu\u00e1ticos, onde a \u00e1gua\n                    \u00e9 vida, a \u00e1gua tamb\u00e9m \u00e9 um perigo para a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n\n\n    <!-- MARILEZ TELLO-->\n    <div class=\"reporter-popups\" href=\"#marilez-popup\" data-effect=\"mfp-zoom-out\">\n\n        <div class=\"image\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/Marilez-Tello-Imaina.jpg\"\n                alt=\"\">\n        <\/div>\n\n        <div class=\"text\">\n            <h4>Marilez Tello<\/h4>\n            <p>Nasci \u00e0s margens do Rio Corrientes, na \u00e1rea onde se localiza a empresa petrol\u00edfera, em uma cidade\n                chamada San Carlos, mas vivi a maior parte da minha inf\u00e2ncia em Intuto, no Rio Tigre&#8230; <\/p>\n\n\n            <button>Continua<\/button>\n        <\/div>\n    <\/div>\n\n    <!-- Popup itself -->\n    <div id=\"marilez-popup\" class=\"white-popup mfp-with-anim mfp-hide\">\n        <div class=\"notebook-container\">\n            <div class=\"image\">\n                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/Marilez-Tello-Imaina.jpg\"\n                    alt=\"\">\n            <\/div>\n\n            <div class=\"text\">\n                <h4>Marilez Tello<\/h4>\n                <p>Nasci \u00e0s margens do Rio Corrientes, na \u00e1rea onde se localiza a empresa petrol\u00edfera, em uma cidade\n                    chamada San Carlos, mas vivi a maior parte da minha inf\u00e2ncia em Intuto, no Rio Tigre. Parte de suas\n                    terras est\u00e3o no Bloco 192, que na \u00e9poca era chamado de 1AB.<\/p>\n\n                <p>De manh\u00e3, antes de ir para a escola, n\u00f3s, crian\u00e7as, busc\u00e1vamos \u00e1gua com as mulheres. Sempre v\u00edamos\n                    manchas, o rio todo impregnado de \u00f3leo, mas ningu\u00e9m falava nada porque n\u00e3o sab\u00edamos o que isso\n                    significava. Sab\u00edamos que era petr\u00f3leo, mas n\u00e3o sab\u00edamos do tamanho do dano sobre a nossa sa\u00fade.<\/p>\n\n                <p>Era comum, especialmente depois de uma forte chuva, encontrar grandes camadas de \u00f3leo escorrendo\n                    sobre o rio. Para coletar \u00e1gua, a \u00fanica coisa a fazer era pegar a \u00e1gua ao redor da mancha de \u00f3leo\n                    derramado com os recipientes, que geralmente eram potes de barro e o ocasional pote de alum\u00ednio ou\n                    balde de pl\u00e1stico. <\/p>\n\n                <p>Quando fui fazer reportagens dos rios Corrientes e Tigre em 2018, tinha 40 anos e era a primeira vez\n                    que voltava \u00e0 regi\u00e3o desde os 10 anos. Nunca hav\u00edamos abordado na r\u00e1dio a experi\u00eancia particular das\n                    mulheres no campo de petr\u00f3leo. Sempre ouvimos mais os homens e eles em geral estavam mais inclinados\n                    a falar sobre o trabalho. Mas as mulheres vivem uma situa\u00e7\u00e3o diferente da dos homens. Conseguimos\n                    colher depoimentos de mulheres que n\u00e3o aparecem muito nas reportagens sobre a quest\u00e3o do petr\u00f3leo.\n                <\/p>\n\n                <p>As lembran\u00e7as das mulheres Kichwa e Achuar sobre a atividade petrol\u00edfera nas comunidades dos rios\n                    Tigre e Corrientes s\u00e3o diversas: um helic\u00f3ptero pousando em sua comunidade, sentir pavor ao ver\n                    pessoas estranhas, esconder-se sob um monte de roupas para n\u00e3o ser vista, a \u00e1gua salgada do rio e\n                    dos riachos que n\u00e3o pode ser bebida e que permanece no corpo ap\u00f3s o banho de rio, a fuma\u00e7a preta e a\n                    fuligem caindo no telhado das casas quando o petr\u00f3leo derramado foi queimado, grandes barca\u00e7as\n                    navegando no rio, camadas de \u00f3leo no meio do rio e em suas margens, grandes gar\u00e7as vestidas de preto\n                    e peixes encalhados na mancha de \u00f3leo, animais como veados e queixadas (white-lipped peccary, que os\n                    homens ca\u00e7avam para alimentar suas fam\u00edlias) embebidos em petr\u00f3leo s\u00e3o algumas dessas lembran\u00e7as.\n                <\/p>\n\n                <p>Para Lindaura Cariajano Chuje, uma mulher Kichwa de Vista Alegre no Rio Tigre, relembrar os primeiros\n                    anos da presen\u00e7a das petrol\u00edferas em seu territ\u00f3rio evoca os momentos dif\u00edceis pelos quais passou\n                    guardados no fundo do seu cora\u00e7\u00e3o. Enquanto caminhamos por um cemit\u00e9rio abandonado no meio da\n                    floresta, ela nos conta que ali est\u00e3o enterrados muitos idosos e crian\u00e7as que morreram com fortes\n                    dores de est\u00f4mago, v\u00f4mitos e diarr\u00e9ia ap\u00f3s beber \u00e1gua do rio.<\/p>\n\n                <p>As recorda\u00e7\u00f5es s\u00e3o dolorosas: o sofrimento de mulheres que perderam um filho ou um membro da fam\u00edlia,\n                    e n\u00e3o sabem o que aconteceu. Guardando tanta dor por tantos anos, imagino que seja reconfortante ser\n                    ouvida. Lindaura n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica que perdeu filhos e familiares. Em outras cidades, a mesma hist\u00f3ria\n                    se repete. Esses eventos tr\u00e1gicos mostram o grau do dano emocional causado por uma atividade que n\u00e3o\n                    respeita a vida e os meios de subsist\u00eancia das pessoas.<\/p>\n\n                <p>Durante a viagem ao Bloco 192, lembrei da minha m\u00e3e, que viveu grande parte de sua vida naquela\n                    regi\u00e3o. Depois que toda a minha fam\u00edlia foi morar em cidades mais distantes, onde a vida era muito\n                    diferente, quem mais retornava era a minha m\u00e3e.<\/p>\n\n                <p>Em 2019, recebemos a not\u00edcia da comunidade de Vista Alegre de que Lindaura tinha morrido de c\u00e2ncer de\n                    pele \u2013 a mesma doen\u00e7a que matou minha m\u00e3e sete anos antes. Minha fam\u00edlia tamb\u00e9m viveu em Corrientes\n                    e Tigre, dois dos rios mais polu\u00eddos pela atividade petrol\u00edfera, segundo estudos.<\/p>\n\n                <p>Os testemunhos coletados nos deixam uma mensagem clara: As mulheres e os homens da selva peruana\n                    merecem e t\u00eam direito a um ambiente e a uma vida saud\u00e1veis.<\/p>\n\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n\n\n\n    <!-- LEONARDO TELLO-->\n    <div class=\"reporter-popups\" href=\"#leonardo-popup\" data-effect=\"mfp-zoom-out\">\n\n\n        <div class=\"image\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/Leonardo-Tello-Imaina.jpg\"\n                alt=\"\">\n        <\/div>\n\n        <div class=\"text\">\n            <h4>Leonardo Tello<\/h4>\n            <p>Um dos principais objetivos da R\u00e1dio Ucamara \u00e9 trabalhar com grupos ind\u00edgenas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. A\n                r\u00e1dio cobre o territ\u00f3rio localizado na conflu\u00eancia dos rios Mara\u00f1\u00f3n e Ucayali&#8230; <\/p>\n\n\n            <button>Continua<\/button>\n\n        <\/div>\n    <\/div>\n\n    <!-- Popup itself -->\n    <div id=\"leonardo-popup\" class=\"white-popup mfp-with-anim mfp-hide\">\n        <div class=\"notebook-container\">\n            <div class=\"image\">\n                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/Leonardo-Tello-Imaina.jpg\"\n                    alt=\"\">\n            <\/div>\n\n            <div class=\"text\">\n                <h4>Leonardo Tello<\/h4>\n                <p>Um dos principais objetivos da R\u00e1dio Ucamara \u00e9 trabalhar com grupos ind\u00edgenas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. A\n                    r\u00e1dio cobre o territ\u00f3rio localizado na conflu\u00eancia dos rios Mara\u00f1\u00f3n e Ucayali, habitado\n                    principalmente pelo povo Kukama. A \u00e1rea \u00e9 vasta, al\u00e9m do alcance da r\u00e1dio. Nesse territ\u00f3rio, tamb\u00e9m\n                    se encontram as comunidades Urarina, Achuar e Quechua.<\/p>\n\n                <p>H\u00e1 cerca de 15 anos, a r\u00e1dio tem dois programas na l\u00edngua Kukama. No final de 2021, transmitimos um\n                    programa de r\u00e1dio no idioma Urarina, conduzido por Jonatan Inuma Arahuata e Paquita L\u00f3pez Rojas, um\n                    jovem casal das comunidades de Nuevo Per\u00fa e Nueva Uni\u00f3n, situadas na parte mais baixa da bacia do\n                    Rio Chambira. O programa conta hist\u00f3rias de muitas pessoas que, pela primeira vez e em primeira\n                    pessoa, narram o impacto da ind\u00fastria extrativa. Nosso pr\u00f3ximo passo \u00e9 visitar Chambira.<\/p>\n\n                <p>Somos uma delega\u00e7\u00e3o de sete pessoas, incluindo meu filho Tsaku, de dois anos. Assim que entramos em\n                    Chambira, fazemos nossa primeira parada em Ollanta. O esgoto inunda os territ\u00f3rios de Chambira,\n                    ent\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se deslocar ao longo do rio. Duas horas depois, estamos em Nuevo Per\u00fa e, nos 30\n                    minutos seguintes, em Nueva Uni\u00f3n, onde ficamos. De l\u00e1, visitaremos Nuevo Progreso, uma comunidade\n                    localizada perto da entrada do Rio Tigrillo, afluente do Chambira. Tamb\u00e9m visitamos as \u00e1reas de\n                    derramamento de petr\u00f3leo. Tudo est\u00e1 inundado, mas a evid\u00eancia dos danos \u00e9 dura.<\/p>\n\n                <p>Os olhos de Tsaku est\u00e3o inquietos &#8211; a lagoa \u00e9 enorme e ele quer experiment\u00e1-la. Meu cora\u00e7\u00e3o d\u00f3i.\n                    Nosso trabalho nesses territ\u00f3rios ainda \u00e9 insuficiente. Somos desafiados e sobrecarregados em todos\n                    os sentidos por essa realidade, a realidade do povo Urarina. Os testemunhos de homens e mulheres\n                    tornam esse sentimento ainda mais agudo. Respiro fundo para seguir com as entrevistas.<\/p>\n\n                <p>Ficamos imediatamente impressionados em Nueva Uni\u00f3n pela forma como os Urarina empilharam a terra em\n                    um local espec\u00edfico para que a enchente n\u00e3o mate suas sementes (caules de mandioca e mudas de\n                    banana). Eles v\u00e3o plantar as sementes assim que o rio baixar. Essa t\u00e9cnica agr\u00edcola \u00e9 provavelmente\n                    nova, porque os Urarina normalmente n\u00e3o est\u00e3o acostumados a viver em \u00e1reas de inunda\u00e7\u00e3o. Eles foram\n                    levados para l\u00e1 pela necessidade de obter ajuda do governo.<\/p>\n\n                <p>O Bloco 8 est\u00e1 nesse territ\u00f3rio. As hist\u00f3rias de abandono por parte do governo se repetem como em\n                    outras bacias, mas aqui tamb\u00e9m \u00e9 percept\u00edvel nos corpos e rostos de crian\u00e7as e mulheres. Isso\n                    fortalece nosso compromisso de continuar trabalhando ao lado delas. Fomos os primeiros a entrar na\n                    comunidade como R\u00e1dio Ucamara. Este ser\u00e1 o caminho para outros que queiram ajudar o povo Urarina de\n                    Chambira e fazer com que suas demandas sejam ouvidas.<\/p>\n\n                <p>Por Leonardo Tello Imina<\/p>\n\n                <p>Filho de pai Kukama e m\u00e3e Achuar<\/p>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n\n\n\n    <!-- GINEBRA PE\u00d1A-->\n    <div class=\"reporter-popups\" href=\"#ginebra-popup\" data-effect=\"mfp-zoom-out\">\n\n        <div class=\"image\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/Ginebra-Pena.jpg\"\n                alt=\"\">\n        <\/div>\n\n        <div class=\"text\">\n            <h4>Ginebra Pe\u00f1a<\/h4>\n            <p>A viagem para as comunidades Urarina do Rio Chambira representou um desafio para a fotografia. Apesar\n                de ter fotografado muita gente durante esses anos na Amaz\u00f4nia&#8230;<\/p>\n\n            <button>Continua<\/button>\n\n        <\/div>\n    <\/div>\n\n    <!-- Popup itself -->\n    <div id=\"ginebra-popup\" class=\"white-popup mfp-with-anim mfp-hide\">\n        <div class=\"notebook-container\">\n            <div class=\"image\">\n                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/inquirefirst.org\/montanasyselva\/proyectos\/traces-of-oil\/wp-content\/uploads\/Ginebra-Pena.jpg\"\n                    alt=\"\">\n            <\/div>\n\n            <div class=\"text\">\n                <h4>Ginebra Pe\u00f1a<\/h4>\n\n\n\n                <p>A viagem para as comunidades Urarina do Rio Chambira representou um desafio para a fotografia. Apesar\n                    de ter fotografado muita gente durante esses anos na Amaz\u00f4nia, o nervosismo corria pelo meu corpo.\n                    Eu sabia que os Urarina tinham outras formas de se expressar e me perguntei se conseguiria ler seus\n                    consentimentos para serem fotografados ou seus desconfortos em seus gestos, j\u00e1 que n\u00e3o\n                    compartilhamos a mesma linguagem. (Geralmente confio na linguagem corporal das pessoas quando elas\n                    veem a c\u00e2mera para saber se querem ou n\u00e3o ser fotografadas. Em pouqu\u00edssimas ocasi\u00f5es em minha\n                    carreira considerei justific\u00e1vel impor o ato de fotografar a uma pessoa relutante, e essa certamente\n                    n\u00e3o seria uma delas).<\/p>\n                <p>Como qualquer ocidental com um m\u00ednimo de interesse em ser cordial com estranhos, estou programada\n                    para sorrir automaticamente. O encontro com as mulheres Urarina foi como olhar para um desses\n                    espelhos de feira que distorcem a imagem em algo c\u00f4mico. Foi assim que meu pr\u00f3prio sorriso ficou,\n                    quando se viu refletido na seriedade delas.<\/p>\n                <p>Fiquei desarmada e sem a minha primeira ferramenta para quebrar o gelo. Compreendi rapidamente que\n                    entre os Urarina n\u00e3o h\u00e1 sorrisos sociais, rir \u00e9 uma express\u00e3o espont\u00e2nea e meu sorriso permanente\n                    deve ter parecido bobo. Devem ter pensado que eu era uma idiota. Depois de algum tempo comigo,\n                    imagino que devem ter entendido que n\u00e3o foi um caso agudo de idiotice, mas sim um esfor\u00e7o de\n                    cortesia de minha parte. Elas tentaram retribuir com um gesto que me fez sentir ainda mais rid\u00edcula,\n                    mas bem recebida. Isso facilitou o meu trabalho.<\/p>\n                <p>Outra dificuldade para fazer o meu trabalho, al\u00e9m de n\u00e3o compartilhar as conven\u00e7\u00f5es sociais do gesto,\n                    era o fato de as comunidades estarem inundadas. Eu n\u00e3o tinha uma canoa \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o para me\n                    deslocar livremente, o que dificultava outra das minhas ferramentas fundamentais para retratar o\n                    cotidiano: vagar pela comunidade e conversar de casa em casa.<\/p>\n                <p>A comunica\u00e7\u00e3o com as mulheres das casas vizinhas, j\u00e1 que n\u00e3o consegui superar a dist\u00e2ncia que nos\n                    separava, baseou-se em olhares durante os tr\u00eas dias em que estivemos l\u00e1. Com uma jovem em\n                    particular, que devia ser alguns anos mais nova que eu e morava na casa ao lado, n\u00f3s nos\n                    observ\u00e1vamos com uma esp\u00e9cie de cumplicidade. Nunca pus os p\u00e9s naquela casa &#8211; por mais que eu\n                    quisesse.<\/p>\n                <p>Isso me lembraria de Janela Indiscreta. Mas as casas de Urarina na maioria das vezes n\u00e3o t\u00eam paredes,\n                    ent\u00e3o a fotografei abertamente \u00e0 dist\u00e2ncia e ela acolheu minha fotografia divertida com gra\u00e7a,\n                    mostrando-me suas atividades di\u00e1rias. No dia em que partimos, ela me deu um sorriso enorme e uma\n                    sauda\u00e7\u00e3o muito afetuosa que me fez pensar em uma calorosa reciprocidade. N\u00e3o trocamos palavras, mas,\n                    de certa forma, nos observamos e nos entendemos.<\/p>\n                <p>O tempo e o trabalho foram passando e continuei a observar com fasc\u00ednio os gestos n\u00e3o verbais das\n                    mulheres e adolescentes que fotografava. A expressividade em seus rostos era contida e medida em\n                    quase todos os momentos. Parecia que apenas a av\u00f3 tinha o poder de quebrar essa regra t\u00e1cita. A\n                    seriedade parece ser o consenso social entre os adultos, pensei. No entanto, isso mudou quando fomos\n                    \u00e0 comunidade de Nuevo Per\u00fa, \u00e0 casa da fam\u00edlia de Paquita L\u00f3pez Rojas, uma jovem Urarina da equipe da\n                    R\u00e1dio Ucamara, que, com o seu parceiro, Jonatan Inuma Arahuata, t\u00eam o primeiro programa de r\u00e1dio em\n                    Urarina.<\/p>\n                <p>Leonardo Tello pegou um drone para fazer imagens a\u00e9reas das comunidades. Assim que o drone levantou\n                    voo, a compostura da fam\u00edlia deu lugar a uma express\u00e3o de aut\u00eantica surpresa, juntamente com uma\n                    explos\u00e3o espont\u00e2nea de curiosidade, medo e alegria. Pensei melancolicamente sobre a \u00faltima vez em\n                    que algo me surpreendeu assim. Como voc\u00ea pensa quando nasceu em uma comunidade? Como \u00e9 ser e se\n                    sentir parte da comunidade e do entorno?<\/p>\n\n\n            <\/div>\n        <\/div>\n    <\/div>\n<\/div>\n\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Barbara Fraser Todo mundo fala da &#8220;selva amaz\u00f4nica&#8221;, mas quando se est\u00e1 ali percebe que na verdade \u00e9 um mundo aqu\u00e1tico. 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